insidetheclubs
Bem-vindos à nova coluna do Portal RMC, que vai entrar, literalmente, no dia a dia dos clubs, através de entrevistas com os proprietários e/ou diretores, a fim trazer à luz do mercado os maiores desafios e oportunidades no ambiente de negócios das instituições que alimentam, ao vivo, a cultura eletrônica no Brasil.

O club brasileiro mais premiado de todos os tempos completa sua primeira década este ano. Desde 2007 na ativa, com aquela primeira festa com Carl Cox, pode-se dizer que o Green Valley colocou a cena de Dance Music do Sul do país como protagonista do mercado brasileiro e, com o passar dos anos, do mundo, já que o club perdurou por sete anos no pódio do ranking global de clubs da revista DJ Mag, conquistando duas vezes a primeira colocação.

Sem dúvidas, o modelo de gestão serve de referência para todos os clubs nacionais, sobretudo em um momento de atenção máxima à esfera administrativa, com o agravante da crise econômica e política que o país atravessa. Por este motivo o Green Valley é o convidado desta terceira edição da série #RMCInsideTheClubs.

Falamos com Eduardo Philipps (na foto abaixo, ao lado de Steve Aoki durante uma das festas de 10 anos do superclub) um dos sócios do Grupo GV – que além do Green Valley, inclui negócios como o Belvedere Beach Club e o Selenza47. Confira abaixo…

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Este ano o Green Valley completa 10 anos. Como têm sido as festas comemorativas?
Planejamos um 2017 recheado de festas espetaculares! Um ano inteiro de comemorações, pois chegar aos 10 anos é um marco na história de qualquer empresa. Passamos da metade do caminho e podemos dizer que o saldo é extremamente positivo. Casa cheia, público satisfeito e noites inesquecíveis.

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Durante a faculdade de Marketing e Administração, aprendemos que todo produto/serviço tem um estágio de introdução, crescimento, maturidade e declínio. Em qual desses estágios está o Green Valley hoje e o que tem sido feito, em termos de ações, para adiar o último estágio?
Acredito que estamos em estágios distintos. Quando falamos do Green Valley, não falamos apenas de um Club, pois as pessoas instintivamente associam a momentos de festa, diversão e alegria. Podemos dizer que estamos na fase de maturação, constantemente nos reinventando.
Vale ressaltar o momento que a música eletrônica passa no Brasil, ou seja, vários excelentes produtores, os reflexos do aumento do dólar e um estilo tipicamente brasileiro que veio forte e está expandindo para fora.
Associado a isto, as tours nacionais que estão por começar (serão praticamente 10/12 grandes eventos nacionais espalhados pelo país), as tours internacionais, onde a nossa marca chegará a países e palcos inéditos, somados ao fato de estarmos cada vez mais presentes em ações de ativação da nossa marca, como no caso do Skol Beats Tower, além de outras surpresas que ainda não podemos revelar, formam uma espécie de elixir da juventude, para que o nosso ciclo oscile entre o bom e o ótimo, ou seja, fases de crescimento e maturidade: sem vencimento!

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Em uma década vocês foram eleitos por duas vezes o club #1 do mundo. Estar bem posicionado abre portas para o mercado internacional? A ideia de se fazer a “World Tour” partiu daí?
O Green Valley World Tour já passou por inúmeros países e é, sem sombra de dúvida, reflexo da nossa notoriedade em nível internacional e fruto de várias parcerias que fomos estabelecendo desde então. O fato de sermos presença contínua (sete anos no pódio) no mais prestigiado ranking internacional (DJ Mag), com duas medalhas de ouro, três de prata e duas de Bronze, nos coloca em claro destaque na cena eletrônica.

Falando em Tour, como foi a experiência recente na Ásia?
Esta tour asiática foi fruto de recentes reforços internos para participarmos com maior regularidade nos mercados internacionais, e foi a primeira de muitas tours num novo formato que estamos programando em nível internacional. Tivemos como “estreia”, digamos assim, dois mercados distintos, Japão e China, em clubes de referência máxima de ambos e a aceitação foi muito boa. É curioso como a música eletrônica unificou o mundo e a forma como hoje é possível trabalhar em parceria e sintonia com mercados que ficam literalmente do outro lado do globo.

Merchandising hoje é um negócio rentável na estratégia de negócios do Green Valley ou é visto como uma mera ferramenta de Marketing?
Ele sempre foi visto como uma ferramenta de Marketing, sendo um complemento ao reforço da nossa notoriedade enquanto marca e dado a qualidade do mesmo, o preço de venda praticado é proporcional a esta categoria, o que aliado a vendas localizadas no Club não se trata do nosso core de negócio.
O Merchandising da nossa marca está dividido em dois formatos: itens de uso que funcionam como um “souvenir” da marca, tais como copos, adesivos, chaveiros e afins, e coleções limitadas de camisetas, polos, óculos, chinelos e bonés que vamos alterando a cada estação e que são muito do agrado do nosso público em geral e dos fieis fãs da marca.

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Como é composto hoje o quadro societário do Green Valley, especificamente, e com quantos colaboradores diretos e indiretos o negócio conta?
O Green Valley é uma marca propriedade do Grupo GV que conta com mais marcas de grande sucesso no seu portfólio. Somos três sócios no Grupo: Eu, Ricardo Tolazzi e Duda Cunha, acompanhados por uma equipe de profissionais, além de empresas e serviços terceirizados que contratamos em função das nossas necessidades.

Sobre o time de residentes, como vocês conseguiram estabelecer a negociação com os artistas mais disputados do país (Alok, Vintage Culture, Chemical Surf, FTampa, etc)?
Na verdade existe todo um histórico com estes artistas, todos se apresentaram no club antes de atingirem esse nível atual. É um processo de aposta e crescimento em conjunto, pois da mesma forma que nós apostamos neles no começo, hoje eles nos abraçam como a família deles. Aliás, esta é uma boa forma de resumir nossa relação em uma única palavra: FAMÍLIA.

Ouve-se dizer que hoje em dia tem muito artista brasileiro que leva mais público do que qualquer gringo. Isto é verdade? Qual foi o papel do club na valorização do artista nacional ao longo desses 10 anos?
O Brasil evoluiu muito musicalmente e a nova geração de amantes da música eletrônica pôde crescer mais próximo de seus ídolos, o que criou um vínculo de proximidade que normalmente um artista internacional não consegue criar. Isso, aliado à variedade e à qualidade musical dos brasileiros, acabou dando muita força aos artistas nacionais, e hoje eles passam a ter o mesmo – ou até mais – potencial de captação de fãs e venda de tickets. O Green Valley sempre foi uma vitrine e sempre teve um importante papel em ditar, acompanhar e fortalecer as tendências musicais. Acreditar, abrir as portas e investir nestes artistas dentro do club foi sem dúvidas um importante fator que contribuiu – e continua contribuindo – muito para o crescimento e a fomentação da cena nacional.

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A próxima festa do GV é a UNION, em parceria com outros clubs como Matahari, The Garden, El Fortin, Belvedere e Field. Como começou esta conversa? O projeto terá continuidade?
A mais nova label de Santa Catarina tem o objetivo de presentear o público com grandes noites e momentos que entrarão para a história, promovendo a união entre os diferentes públicos em prol da boa música, sem preconceitos. Serão realizados seis eventos por ano, um por casa, e o Green Valley recebeu a missão de dar o pontapé inicial.

Recentemente soubemos que o Green Valley investiu no Selo Social. Como funciona este projeto e quanto, exatamente, foi investido?
Preferimos não falar em números, mas este é o segundo ano em que o Green Valley participa como investidor do Selo Social, onde o Poder público, iniciativa privada e entidades não governamentais se unem para obter impactos positivos na sociedade. Camboriú e Balneário Camboriú são as cidades que nos receberam de braços abertos, dão todo o apoio ao projeto e recebem, desta forma, nossa retribuição.
Investimos neste projeto pois é muito sério e as ações têm como foco os objetivos de desenvolvimento do milênio das nações unidas. São oito: acabar com a fome e a miséria; oferecer educação básica de qualidade para todos; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combater a Aids, a malária e outras doenças; garantir qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e estabelecer parcerias para o desenvolvimento.

Fotos: Diego Jarschel.