Dentre os diversos estilos de música eletrônica que foram criados, um deles se destaca pela sua ligação com o movimento hippie psicodélico das décadas de 60 e 70. Foi nas praias de Goa, na Índia, que o encontro de turistas europeus, peregrinos religiosos e hippies americanos propiciou o nascimento do Psytrance no final da década de 80. O crescimento do chamado Goa Trance (nomeado assim por causa do Trance europeu que já existia na época), que era uma mistura de Acid House, Techno, mantras indianos e rock psicodélico, criou uma sequência de acontecimentos e inovações culturais que se espalharam por todo o mundo.

Goa, India - 1989

No Brasil, o psytrance chegou buscando uma nova alternativa para um paraíso de festivais fugindo da perseguição em Goa que começou no ínicio da década de 90. Foi na praia de Trancoso, em Porto Seguro, na Bahia, que começaram os primeiros eventos de psytrance em solo brasileiro. Desde então, centenas de eventos de todos os portes aconteceram por aqui, atingindo o seu ápice de fama em 2007, passando por altos e baixos até chegar onde chegou.

A cada ano que passa, a cultura psicodélica brasileira mostra evolução e segue passos mais profissionais. Há necessidade de desmistificar os preconceitos sofridos pelos festivais psicodélicos e, em sua primeira participação no Rio Music Conference, o público vai conhecer um pouco mais sobre esse movimento rico em arte e cultura que se prolifera e cresce no mundo inteiro. O encontro será nos seguintes painéis:

Sala Mauá – 15/02
17:00 às 17:45
Compromissos Socioambientais e Redução de Danos nos festivais

Os festivais de psytrance se propõem a incentivar e subsidiar diversas carências na sociedade: é comum que na região onde os eventos são realizados, existam trabalhos de conscientização ecológica e social. Neste painel, o foco será nos desafios que um festival enfrenta para sua realização e todos os benefícios que ele propicia para a região em que é realizado, além da responsabilidade social em relação à redução de danos no consumo de substâncias lícitas e ilícitas.

Alexandre Zaghini – Respect Festival
Marcio Roberto Oliveira Junior – Associação Psicodélica do Brasil
Marcos Albuquerque – Simbiose
Moderador: Bruno Soares (Revista Skot)

Sala MAR – 16/02
17:00 às 17:45
Cultura e História do movimento psicodélico

Sendo um estilo de música relativamente novo, existem diversos desafios a serem enfrentados para permitir uma evolução saudável da cena psytrance. Neste painel vamos abordar os pontos principais que tornaram o movimento cultural tão marginalizado e como as mídia pode trabalhar para desmistificar esses preconceitos.

Bianca Motta – Consciência em Transe
Kranti Pessoa – Festival Alternativo Kranti
Moderador: Bruno Martins (Revista Skot)

Sala MAR – 16/02
15:00 às 15:45
Uma visão profissional e artística sobre o Psytrance

O crescimento do psytrance, que evoluiu de um movimento marginalizado, é evidente no Brasil. A profissionalização de todas as partes envolvidas se faz necessária para permitir alcançar novos níveis de abrangência e aceitação da sociedade. Neste painel o foco será na visão profissional sobre o mercado brasileiro, tanto em relação ao mercado interno, quanto em relação ao mercado internacional.

Pedro Vidigal – Infinite Music
Vitor Falabella – Season Bookings
Matheus Nogueira – Earthspace
Moderador: Fernando dos Santos

Sala MAR – 17/02
15:00 às 15:45
Diferenças e semelhanças: festas e festivais

O crescimento dos eventos de música eletrônica foi gerando uma série de desafios para tornar um tipo de música muito novo na história mais aceito pela sociedade. Dentre esses desafios, surgiu o preconceito com o termo “rave” e fez com que diversos eventos optassem por divulgar seu trabalho como “festivais”. Neste painel, vamos diferenciar os conceitos de festa e festival no psytrance, esclarecendo as questões de vivência e investimento cultural em cada tipo de evento.

Fabio Brandão – Euphoria Festival
Henrique Karlovic – Shakti
Eduardo Torres – Respect Festival
Luiz Frederico Nunes Campelo – Universence
Moderador: Fernando dos Santos

O psytrance no Brasil em 2016

O ano de 2016 foi de aprendizado para artistas, público e festivais, começando com o grandioso Universo Paralello na Bahia. Em janeiro, surpresas como as chuvas fortíssimas na Chapada Diamantina prejudicaram muito a realização do Ressonar Festival. Felizmente conseguiram organizar a casa e realizaram o evento em um local diferente e com êxito. No carnaval, teve a realização de dois festivais já reconhecidos pelo público: o Soulvision Festival realizou a edição Equilibrium, que trouxe artistas de diversas vertentes do Psytrance, com maior equilíbrio que as edições anteriores; em Goiás, o Zuvuya Festival novamente trouxe a proposta de estilos mais diferenciada, com muito Dark, Night e Forest para os fãs de música mais introspectiva.

Adhana Festival 2016-2017 - Fotografia por Bruno Camargo

No mês de março, a realização do Ozora One Day acabou obrigando a organização do tradicional Shivaneris Easter Festival a cancelar o seu evento. Infelizmente a produção do Ozora One Day não foi muito bem sucedida e o evento teve muitas reclamações por parte do público. Abril e maio foram repletos de eventos de sucesso, como a edição histórica do Festival Mundo de Oz, com mais de 4.000 participantes, a edição de 10 anos do Festival Respect e a 2ª edição do Pulsar Festival, ambos aconteceram na mesma data mas com propostas diferentes em São Paulo e Minas Gerais. O sucesso destes festivais comprova que eventos produzidos com profissionalismo e responsabilidade têm tudo para dar certo!

Ressonar Festival 2016 - Fotografia por Bianca Meireles

Em Junho, teve a realização do Planeta dos Macacos Festival, que acontece na região amazônica do Pará e pela sua proximidade com a Linha do Equador, ocorre no verão! Em julho aconteceu o Festival Alternativo do Kranti, que é um dos mais antigos do país, em uma nova casa, uma Eco-vila em Lagoa Formosa, Goiás. Os festivais Revolution e Samsara aconteceram em setembro, com edições menores em 2016 mostrando que não se pode desistir de um ideal. A edição Florescência da Gaia Connection foi a inauguração da Aldeia Outro Mundo, que é a Eco Vila mantida pelas produtoras da Gaia e do Mundo de Oz.

Gaia Connection 2016 - Fotografia por Bruno Rossi (In Transe)

No Rio Grande do Sul, o Origens Gathering volta à ativa depois de um hiato de um ano, em edição de outubro ao invés do período de inverno que sempre foi característico – não que a chuva não tenha marcado presença no final do festival, mas esta edição foi uma demonstração de força de vontade dos artistas e organização para o retorno do festival mais tradicional dos gaúchos.

Novembro foi marcado pela vinda de Goa Gil, se apresentando em São Paulo, no Rio Grande do Sul e pela primeira vez, na Amazônia. O fim do ano foi um desfecho fantástico para a cena psytrance brasileira, com quatro festivais acontecendo simultaneamente no revéillon e todos eles bem-sucedidos, enquanto em Santa Catarina teve a estréia fenomenal do Adhana Festival, o ReveillOz em São Paulo, na Eco Vila Aldeia Outro Mundo. Na Bahia tivemos a terceira edição do Terra em Transe que após uma segunda edição com uma série de reclamações do público, demonstrou grande evolução na sua organização e mostrou sua casa nova em grande estilo nas areias da Praia de Costa Azul. Para encerrar, o Jacundá Festival também foi um sucesso em plena Floresta Amazônica, mostrando ao mundo que o Brasil tem festivais para todos os gostos e com todo tipo de paisagem.

Conteúdo produzido por : Revista SKoT
Para saber mais, acesse: www.psytrancebr.com


Fotografias: Bianca Meireles, Bruno Camargo e Bruno Rossi.