Já não é mais nenhuma superconstatação o fato de que o vinil é (novamente) uma realidade. Com curadoria de Chico Dub, a exposição coletiva “Disco é Cultura: o disco de vinil na arte contemporânea brasileira” vai analisar a influência do disco de vinil na produção de arte contemporânea nacional. Com apoio da Prefeitura do Rio e da Secretaria Municipal de Cultura, a exposição estará aberta ao público de 02 a 24 de setembro no Rio de Janeiro, no Castelinho do Flamengo.

A exposição vai muito além das capas (ou da superfície), mostrando toda uma ampla gama de usos do objeto enquanto material estético de intervenção sonora, física, conceitual, ritualística e poética. Estarão reunidas, nos três andares do espaço, 29 obras de 19 artistas contemporâneos das artes visuais e sonoras, dentre eles: Cildo Meireles, Antonio Dias, Waltercio Caldas, Chelpa Ferro, Brígida Baltar e Chiara Banfi. São esculturas, fotografias, obras interativas, instalações, telas, performances sonoras e “discos de artista” (trabalhos onde o disco é a própria obra de arte) que vão além do uso funcional projetado para o objeto.

foto: Leandro Godoi (http://migre.me/fqw91)
foto: Leandro Godoi (http://migre.me/fqw91)

Nos dias de hoje, o disco de vinil transgrediu sua suposta inutilidade comercial e virou ícone pop. Antes obsoleto com o avanço do CD e da tecnologia digital, atualmente é objeto cult no mundo todo, um símbolo-fetiche muito maior do que o som presente em seus sulcos – um dos principais representantes da nossa identidade social e cultural, o disco de vinil é peça fundamental na história mundial. A cada ano, seu aumento de vendas supera as expectativas (em 2015, bateu o rendimento dos serviços de streaming), o que definitivamente o retira da categoria “revival” ou “item de colecionador”.

Além desta retomada pelo valor do som, deixando de ser parte precária do passado e tornando-se qualidade nos novos tempos sonoros, o disco de vinil transcendeu cada vez mais o mundo da música e foi apropriado em diversas frentes das artes visuais, indo além de sua materialidade visual e de seu design para explorar ideias e questões muito distantes do seu uso original.