Coordenado por Leo Janeiro (RMC) e Gary Smith (ADE), o Rio Music Conference 2017 conta com um time de curadores especializados com o objetivo de programar e proporcionar a melhor experiência de troca de conhecimento, organizando os temas dos nossos painéis e workshops de forma que abordem todos os aspectos da vasta cadeia produtiva da música eletrônica e entretenimento. Esta coluna irá traçar o perfil de cada um desses curadores que, claro, estarão presentes no RMC.

Com formação em Publicidade, Bruna Calegari é uma dos principais profissionais do mercado quando o assunto é conteúdo. Sua agência Hot Content já trabalhou com clientes como Warung Beach Club, Tomorrowland Brasil, Tribaltech, Creamfields, Rio Music Conference e Innervisions – de redes sociais a projetos específicos de branded content, passando por assessoria de imprensa e campanhas de reposicionamento. Criou em 2016 o festival Subtropikal, em Curitiba, sobre cultura e arte urbana na capital que passa por um momento de grande criatividade.


bruna calegari

Como você tem contribuído para nossa cena nos últimos anos?

Sou Editora do Anuário de Mercado do Rio Music Conference desde 2013, o que exige que eu esteja sempre em contato com os principais movimentos, revelações e mudanças no cenário eletrônico. A Hot Content atua com marcas do entretenimento de forma a explorar suas vantagens competitivas e elaborar um posicionamento e uma comunicação sob medida, tendo todo este cenário do mercado eletrônico como plano de fundo. Somos fãs de desafios, gostamos de explorar criativamente as possibilidades e adoramos lidar com clientes que confiam no nosso trabalho e têm coragem para ousar dentro do mercado. Também sou idealizadora do festival Subtropikal, que coloca a música eletrônica em destaque num universo de criatividade, arte e tendências em Curitiba. Além do mais, contribuo bastante frequentando festas e apoiando movimentos de amigos, sempre. :)


Qual a importância que você vê em um evento como o RMC para o cenário nacional?

A importância do RMC pode ser vista por qualquer pessoa que já esteve em alguma edição nestes 9 anos de conferência. O crescimento do evento, sua internacionalização e principalmente o local-chave aonde chegou (Porto Maravilha, um cartão postal do Rio) são exemplos perfeitos. Além de despir a música eletrônica de preconceitos ao mostrar que existe um mercado estruturado por trás dela, o RMC bota luz na relevância do entretenimento para a economia criativa nacional, demonstrando como este setor cresce e melhora a cada ano. Como brasileiros, somos especialistas em fazer festa: como não querer investir nisto?


Como você enxerga a nossa cena atualmente, entre pontos positivos e negativos?

Hoje vemos como foi um erro a cena ficar tão dependente de marcas internacionais e, por consequência disso, quase implodir em 2015/2016 com o aumento do dólar aliado à crise econômica. O resultado óbvio foi que o mercado se voltou para o som nacional, que com o passar do tempo virou uma modinha chata e previsível. Mas a crise também é oportunidade de crescer e se desenvolver, portanto o cenário da música eletrônica genuína, na rua, sem preconceitos, com arte, com sonoridades novas, totalmente made in Brazil, é promissor. E agora, espero, estamos vacinados contra o deslumbre pelo que vem de fora. Vamos investir mais na gente e no nosso potencial, né?


Do alto da sua vasta experiência na sua área, como você pretende agregar ao RMC?

Do “alto” dos meus 29 anos de experiência (rs!) pretendo agregar ao time quebrando visões tradicionalistas de mercado, trazendo questionamentos pertinentes quanto às tendências mundiais de igualdade de gênero e empoderamento feminino, falar sobre sustentabilidade, comunicação, integração com outras áreas da economia criativa, além de exprimir sempre uma visão apaixonada e sincera. Muitas vezes, ao se falar de “mercado”, esquecemos que todo mundo é louco por isso, apaixonado pela música e tudo mais. Eu não consigo esquecer.


Quais são as suas apostas para as tendências do mercado no ano que se segue?

Valorização da curadoria nos line-ups, festas cada vez mais tropicais e com decoração criativa, festivais nacionais com força total, o retorno da arte da discotecagem e ascensão e queda do minimalismo no underground.